Viva!
Minha amiga me perguntou: "E você conseguiu o que você queria? Deu certo?"
Como assim "Deu certo????"
"Isso que você disse que você queria"
"Ma... Mas... Como assim?"
"Ora, você disse que não quis se envolver pra não sofrer depois, como já aconteceu daquela vez lá! E então, deu certo?"
"..."
Respondi "Bem..." [cerveja] "Não sei dizer..."
***
O fato é que, quando eu disse que não ia dizer. Quando eu disse que não ia querer. Quando eu disse que não ia fazer.. Eu cumpri tudo o que eu disse, pra mim mesma.
Só não fui coerente. Tu sabes e eu sei disso. Tu sabes o que eu desejava, tu sabes o que tu desejavas, e tu sabias que eu queria. Tu só não contavas com a minha determinação! E, agora, tu não fazes a menor ideia de como estou eu agora. Tu não fizeste ideia do quanto foi sofrido, e do quanto eu não sofro mais, exceto...
***
Eu não sei explicar, bem que eu gostaria. Mas andei tanto, peguei aquele ônibus. Lembrei da viagem que eu não fiz. Eu sabia, não podia fazê-la. Não daquela vez. Tu precisavas fazê-la sozinho. Eu precisava, simplesmente, deixar-te ir, como tu me deixaste ir da outra vez. Precisava fechar este ciclo.
Além da viagem que eu não fiz, a qual foi mareada por tanto sono e tanta vontade de não estar, há outra viagem. Aquela do contato. Então, tomo contato com tudo o que tu viveste, e é quase como se estivéssemos estado aqui ontem. Deito no mesmo lugar. Caminho pelas mesmas ruas. Falo com [quase] as mesmas pessoas. Veja bem, numa cidade como esta, você não precisa estar com "A" pessoa, basta estar com alguém próximo a ela que você chega a saber tudo sobre ela. E eu andei com [quase] as mesmas pessoas.
Eu acendi aquele cigarro, algumas vezes. Até acabar o maço, confesso. Senti falta. De sentir aquele ar entrando no meu peito e me fazendo sentir como se fosses tu mesmo a me envolver, como acontece sempre, como se tu soubesses cada desejo da minha mente. E, como se tu soubesses, que eu queria ter feito a outra viagem contigo, muito embora dissesse não o tempo inteiro, até que tu mudasses de ideia e me deixaste negar tudo aquilo.
Tu me deixaste sair e não olhar pra trás. Ao menos enquanto tu saías... Não, tu não me viste dar sequer uma olhadela. Ao contrário, eu segui, sempre em frente, como aprendi que tem que ser.
Estava olhando aquelas águas, hoje. Pensando nas diversas paisagens que podíamos ter apreciado, que certamente apreciaríamos (afinal, nossos gostos são tão semelhantes que já nem preciso perguntar tua opinião pra algumas coisas!), mas que não. Eu sei que não apreciaste. Eu sei que sequer pudeste me imaginar andando por esses lugares e vindo a ser esta mesma. Eu sei quase todos os teus passos por aquelas ruas e sei que não conseguiste pensar muito nisso.
Acontece que eu cansei de mentir. E, cansei de sentir isso tudo. Senti um pouco mais, de novo, dessa vez. Mas isso vai passar, como sempre, e espero que não leve um ano mais para perceber que tudo isso vai ficar no seu passado. Ainda que você tenha planejado vivermos naquela ilha... Não, sinto muito. Ainda que eu deseje muito, é muito difícil eu voltar atrás quando eu decido algo assim. Porque você pode fazer aquilo que tanto temo, e eu não penso em viver algo assim novamente!
***
Segui, dizendo: "No começo eu pensei que não tivesse dado certo. Pensei que eu estava sofrendo demais, e talvez ainda pior, por me achar tão fraca ao ponto de não ter conseguido fazer o que eu devia ter feito. E me perguntava o tempo inteiro "por que eu não fiquei?" "por que eu não tentei?" "o que me impediu, porque a culpa foi realmente minha!". E ficava me martirizando e ruminando esse arrependimento por isso tudo que eu não fiz, não disse, não "quis"!" [cerveja]
"Só que agora... Agora parece que... As coisas estão voltando aos seus lugares. E isso está ficando no passado. E eu estou levando a vida, e o horizonte está mostrando seus novos raios de sol..."
Talvez não tenha sido o melhor. Talvez eu vá, pra sempre, sentir que sinto a tua falta. Sempre que pensar em ti. Mas, talvez, eu sempre siga tendo a convicção de ter feito o que eu devia ter feito... E, talvez, seja melhor assim.
Talvez!
Acho que eu nunca vou ter coragem pra saber. O que importa é viver. La vida.
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