O choro e outros sentimentos
Já faz um tempo, eu sei... Faz um tempo que tudo acabou. Faz um tempo, também, que tudo começou de um jeito tão errado que era óbvio que não ia dar certo. Um tempo ainda maior, faz que eu comecei a sofrer por isto. Sofri tanto que, quando olho pra trás, não sei como consegui sofrer tanto.
Faz um certo tempo que esse sentimento se arrasta na minha existência. Junto com tantos outros, ele parece que está sempre ali, de fundo. Ou melhor, ele está ao fundo: entrará em cena assim que for necessário.
O sofrimento acompanhou a maior ruptura vivida, quando entrei por aquela cidade nova, a super-cidade. Foi quando em todos os lugares eu o via, quando ele estava presente até no ar que eu respirava. Quando tudo acabou, já não sabia por quais ruas caminhar, muito menos se haveria um ar para ser respirado, já que ele era o próprio ar.
Momentos de choro fizeram parte da adolescência e seus dramas, das músicas escutadas, do desejo pela melancolia, de um certo prazer em não ser feliz, como a sociedade queria que eu fosse. E, após muitas doses de álcool, a única coisa que era possível fazer era chorar e chorar, onde quer que fosse.
Mas faz um tempo, também, que nenhuma lágrima escorre pela minha face. O sentimento de sofrimento parece anestesiado. É como se tudo pudesse ser horrível, mas não consegue atingir esse coração vulnerável. E, tem horas que a cara fecha, a música vem, a lembrança ruim vem, o álcool vem... Só o choro que não vem.
Coração duro que posso carregar! Ou será um coração de carne, carne dura, que sente e pulsa mas que não chora frente a qualquer situação. A última vez chorada foi em momento psicoterapêutico e faz meses já. Antes disso, bem, não quero lembrar. Amava e sofria, gozava e chorava, sentia falta e precisava estar só. Era um constante sofrimento, seguido de choro, seguido de tristeza, seguido de... Uma profunda crise, um extremo estado de insatisfação. Que agora não mais está.
Resta, apenas, os sentimentos. Mas a tristeza se converte em raiva, em repúdio pelo ser ou ocasião que me entristece. E, ainda que esteja triste, jamais chorando.
Isso é estranho demais. E, na verdade, é reflexo do desejo por alguém que não me faça apenas sorrir, mas me faça chorar também, se o sentimento for real e construído com coerência. Porque não só de pétalas vivem as rosas, mas seus espinhos podem machucar e podem nos fazer chorar... Só que nunca vão ser tão ofensivos a ponto de querermos tê-las longe. Uma pessoa rosa, um momento rosa.
Eu queria sentir que estou mais viva do que pareço estar...
Faz um certo tempo que esse sentimento se arrasta na minha existência. Junto com tantos outros, ele parece que está sempre ali, de fundo. Ou melhor, ele está ao fundo: entrará em cena assim que for necessário.
O sofrimento acompanhou a maior ruptura vivida, quando entrei por aquela cidade nova, a super-cidade. Foi quando em todos os lugares eu o via, quando ele estava presente até no ar que eu respirava. Quando tudo acabou, já não sabia por quais ruas caminhar, muito menos se haveria um ar para ser respirado, já que ele era o próprio ar.
Momentos de choro fizeram parte da adolescência e seus dramas, das músicas escutadas, do desejo pela melancolia, de um certo prazer em não ser feliz, como a sociedade queria que eu fosse. E, após muitas doses de álcool, a única coisa que era possível fazer era chorar e chorar, onde quer que fosse.
Mas faz um tempo, também, que nenhuma lágrima escorre pela minha face. O sentimento de sofrimento parece anestesiado. É como se tudo pudesse ser horrível, mas não consegue atingir esse coração vulnerável. E, tem horas que a cara fecha, a música vem, a lembrança ruim vem, o álcool vem... Só o choro que não vem.
Coração duro que posso carregar! Ou será um coração de carne, carne dura, que sente e pulsa mas que não chora frente a qualquer situação. A última vez chorada foi em momento psicoterapêutico e faz meses já. Antes disso, bem, não quero lembrar. Amava e sofria, gozava e chorava, sentia falta e precisava estar só. Era um constante sofrimento, seguido de choro, seguido de tristeza, seguido de... Uma profunda crise, um extremo estado de insatisfação. Que agora não mais está.
Resta, apenas, os sentimentos. Mas a tristeza se converte em raiva, em repúdio pelo ser ou ocasião que me entristece. E, ainda que esteja triste, jamais chorando.
Isso é estranho demais. E, na verdade, é reflexo do desejo por alguém que não me faça apenas sorrir, mas me faça chorar também, se o sentimento for real e construído com coerência. Porque não só de pétalas vivem as rosas, mas seus espinhos podem machucar e podem nos fazer chorar... Só que nunca vão ser tão ofensivos a ponto de querermos tê-las longe. Uma pessoa rosa, um momento rosa.
Eu queria sentir que estou mais viva do que pareço estar...

2 comentários:
Enquanto vc sentir vontade de sentir, estarás viva. O problema é se a apatia chegar com força total, aí, nem vontade de sentir qquer coisa vai aparecer.
É bem por aí... Falou pouco mas falou tudo.
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