Memória e vida.
A vida de algumas pessoas parece uma sucessão de erros. Escolhas erradas que pareciam certas, decisões refletidas ou não, que se mostraram equivocadas. Já outros, parecem ter uma vida repleta de acertos. Como se não conseguissem olhar para trás e pensar naquilo que foi dito ou feito, elas vivem, como se estivessem sempre certas.
Tem horas em que a gente pensa que o melhor é seguir em frente sem olhar para trás. Mas algumas pessoas não conseguem fazer isso, dentre elas, eu. Não consigo seguir em frente sem olhar para trás. Olho, penso, avalio.
Por vezes, nessas situações, o melhor seria não ter memória. Já outras vezes, a memória é boa, porém parece que o dever é não lembrar daquilo que foi bom, quando se seguiu de coisas ruins. Em outras ocasiões, a memória daquilo que foi bom é sempre acessada, ainda que a base da construção dessa memória boa tenha sido imenso sofrimento.
Já vivi muitas coisas, porém, a sensação é de que histórias se repetem. É como se a gente vivesse preso numa espiral que sempre nos remete à mesma coisa. A isso, a psicanálise chama de "repetição inconsciente", é como se uma dada história precisasse se repetir inúmeras vezes para que a pessoa pudesse identificar as questões inconscientes que precisam ser trabalhadas. Sim, eu odeio a psicanálise.
Mas... Chega uma hora em que se faz necessário entender o que o inconsciente está tentando dizer.
O problema maior é que o tempo passa. A idade chega. A gente se sente velho demais para ficar sempre voltando na mesma coisa. Aliás, uma pergunta recorrente em mim é: será a vida uma sucessão de recomeços?
Parece que todos vivem assim e que, apesar das coisas boas da vida, o sofrimento sempre vem, sempre está presente. E, quando percebo isso, só me ocorre uma coisa: se deus existe, ele é um grande zombador! Nos coloca no mundo para vivermos assim...
E não, não anulo as coisas boas!
Acontece apenas que as coisas ruins vêm com tudo. Com muita força.
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Me pego pensando: quem sou eu?
Vem em minha mente inúmeras coisas, boas e ruins.
Fato é que apenas, em alguns momentos, gostaria de sentir que algumas pessoas não me conhecessem. E quisessem.
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