Crescer... até quando?
Cada dia que passa, um pouco mais velhos ficamos. Entretanto, a sensação que temos nem sempre é a mesma. Em geral, costumo me sentir mais criança em muitas situações... Digo, mais criança do que o esperado. Quando pareço mais velha, sempre sou taxada como chata, entre outras coisas.
Esse sentimento de ser criança ou ser velha provoca algumas coisas esquisitas. Engraçado o fato de conseguir ser criança e me sentir velha. Meu corpo tá velho. Minha energia não é mais a mesma. Mas minhas revoltas são parecidas com as de adolescente.
Esses dias, umas coisas de infância voltaram. E chorei, como chorava quando criança. Queria ir pro quarto e chorar, como acontecia... Até que viesse alguém perguntar "quem te bateu?" como acontecia quando criança. E, detalhe, nem sempre eu apanhava, mas era a forma das crianças se comunicarem, perguntar se alguém tinha batido em nós. (risos).
Mas não fui pro quarto. Aliás, não fiquei só. Fiquei com meu acompanhante diário, companheiro diário, que aguenta minhas criancices e minhas adultices.
Fui criança como há muito tempo não tinha sido... Revivi coisas, lembrei de histórias que estavam esquecidas. Fiquei sem fôlego, como era antigamente. Até sentir o corpo formigar.
Depois, algumas coisas pra descontrair e um sono...
Fato é que aquilo que dizemos serem "de criança" ou "do passado" ficam na nossa sombra, nosso inconsciente que insiste em nos visitar. E dessa vez não foi diferente. Fui visitada durante o sono, de um jeito assustador. Acordei. Tinha dores fortes. Levantei, deitei. Respirei. Tentei ver se a dor passava, e não passava. Fechava os olhos e só vinham as imagens do sonho. Preguei os olhos rapidamente, até acordar e não conseguir dormir mais... Resolvi tomar analgésicos, para tentar passar a dor física. Deitei, dormi mais umas duas horas...
Quando acordo, as marcas continuaram: olhos inchados e marcados, olheiras fundas, pouca disposição.
Tem momentos em que voltar a ser criança não é a melhor coisa que pode nos acontecer. Porém, já diz uma teoria, que carregamos em nós um adulto, uma criança e um pai. A cada momento que passa, um desses aparece. Mas, infelizmente, meu corpo não é mais de criança e não consegue lidar com as coisas com tamanha vitalidade...
Já disse Jung que "aquilo a que você resiste, persiste" e isso são os conteúdos inconscientes. Eles estarão lá independente de nossa vontade. Interessa, então, pensar: até quando vamos crescer? Ou, crescer não seria carregar tudo o que um dia já fomos e tentar fazer disso uma vida mais tranquila? Então, crescer é, na verdade, uma utopia. Se sempre formos aquilo que fomos um dia, aquilo que foram nossos antepassados e nossa cultura, na verdade nunca cresceremos. Crescer é, na verdade, aquilo que nos faz acreditar que amanhã tudo poderá ser diferente -- ainda que não passe apenas de uma crença.
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