Desçam das minhas costas!
Ultimamente, muita coisa tem acontecido na minha vida. Tenho passado dias de alegria e de tristeza, enquanto em outros dias levanto "deprimida" e volto pra casa "eufórica", quase uma típica pessoa com bipolaridade. Mas, segundo um amigo meu, eu estou mesmo é CANSADA.
Todo dia, toda vez que eu levanto para pegar o ônibus e levar quase duas horas pra chegar no trabalho, e depois levar quase duas horas pra voltar do trabalho, eu me sinto cansada. Às terças-feiras eu trabalho 12 horas, então fico quase 16 horas na rua e, para compensar, às quartas-feiras eu tenho a tarde livre. LIVRE??? Pra uma pessoa CANSADA, tarde livre é sinônimo de horas pra poder dormir, ou seja, não adianta de nada ter a tarde livre...
Apesar de tudo, tenho mantido o bom humor na maioria das vezes, claro...
Essa rotina pesada tem seu preço, e eu recebo um valor razoável por isto. Por conta disso, resolvi com meu maridinho, adquirir um automóvel. Ok, certo que eu ainda não sei dirigir (pretendo tirar a carteira de motorista a partir de dezembro), mas ele tirou a carteira agora e está apto para dirigir, ou melhor, para aprender a dirigir. A ideia é: se me buscar no trabalho inicialmente, já poderei não me sentir tão CANSADA todos os dias da minha vida. Por que, sempre me pergunto, pra que ganhar dinheiro? Pra que trabalhar tanto? Se eu ganho uns mangos razoáveis, penso que devo reverter isso pra minha qualidade de vida, obviamente.
Infelizmente, a frase do Tolstói que eu aludi no título, faz todo sentido agora: "Os ricos farão de tudo pelos pobres, menos descer de suas costas". Por quê, vocês perguntam.
Por que, inicialmente, as críticas vieram. Depois, pessoas dizendo que se não se sabe dirigir, não se deve ter carro (a pergunta que não quer calar é: como se aprende a dirigir, sem carro????). Então, pessoas opinaram dizendo que ao invés do carro devíamos comprar uma casa (ah, custa o mesmo tanto, né?!). Pra finalizar, meus sogros começaram a fazer uma rampa na casa deles pois a garagem , que nunca foi usada, não permitia a entrada de carro, precisava de obras e, PASMEM!, foi o sogro passar o cimento ontem que no mesmo dia, com o cimento molhado, foram pessoas lá e ficaram PISANDO COM MUITA FORÇA pra estragar o que ele estava fazendo.
E é aí que surgem as questões mais revoltantes no momento... Primeiro, ouvir pessoas próximas, que sempre julguei quase da família, dizendo coisas absurdas, me faz pensar várias coisas, uma delas é que sim, as pessoas sentem inveja dos outros. A outra é que são pessoas de classe média, que sempre me viram fudida e muito mal paga, e agora se incomodam de ver minha vida tomando bons rumos e, por isso, a frase do Tolstói. Também faz parte desse grupo, pessoas que não são tão amigas mas se enquadram nesse quesito.
Terceira coisa que eu penso, quando paro pra pensar nas pessoas pisoteando de propósito o cimento: as pessoas, além de invejosas, são más. Não sabem respeitar a vida dos outros, respeitar pessoas de mais idade! Se elas pudessem, fariam ainda pior! (e ainda teve gente que sugeriu que deixássemos o carro dormindo do lado de fora da casa deles...)
Sinceramente, tem horas que dá vontade de mandar todo mundo à merda.
Mas aí, eu me pego pensando no quanto estou feliz (apesar do cansaço), e que ainda que as pessoas esperneiem, e façam muita merda, tentarei seguir em frente e, se puder, estender a mão. Por que não dá pra olhar pra essas pessoas apenas com raiva ou indiferença...
Como diz o Teatro Mágico, "este mundo não vale o mundo, rapaz". Nenhum dinheiro ou bem de consumo pode comprar relações positivas na nossa vida!
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