O mundo anda descomplicando...
Então, já se passaram alguns dias e resolvi comentar as coisas sobre o último post.
Ainda sonho com morte, mas na verdade agora, com pessoas que já morreram. Não é todo dia, mas de vez em quando...
Mas andei pesquisando um pouco sobre Jung (o psicoanalista), participei de um workshop sobre ele e tal. E troquei uma ideia sobre aquelas coisas que aquela mulher que eu falei que me "benzeu", falou. E muitas coisas fizeram sentido...
Pra Jung, todos nós temos uma parte que é inconsciente, que nasce conosco e da qual vamos nos "distanciando" durante a vida, para formar nossa consciência e tal. Esse inconsciente traz consigo tanto nossas características próprias quanto coisas que estão no coletivo, de gerações passadas. São coisas que são transmitidas inconscientemente de diversas formas e, como para o inconsciente não há limites, ele "capta" de tudo um pouco. E o inconsciente traz coisas do passado, do presente e do futuro, porque afinal ele está conectado com tudo, desde pessoas à natureza. Pra finalizar essa explicação superficial mas que vai dar pra vocês entenderem o que eu vou dizer na sequência, uma das melhores formas de acessar o inconsciente é pela análise de sonhos. É nos sonhos que o inconsciente fala mais "alto", sendo que tudo o que aparece nos sonhos não é literal mas simbólico. Mesmo que apareça um fato "concreto" da realidade da pessoa, este sonho está falando simbolicamente sobre coisas que estão a nível inconsciente e que você precisa parar e prestar atenção a elas. Geralmente, são coisas que dizem respeito a você e que você não está querendo perceber, e aí o inconsciente vem pra te mostrar algo, que no final vai te fazer bem pois você irá se conhecer melhor e se "resolver" mais.
Enfim, espero que tenha dado pra entender um pouco...
Então ocorre que eu estava pensando sobre os sonhos, né? Sonhos com morte e tal. E aí, lembrei da tal mulher benzedeira. E perguntei a um dos professores o que acontece com esse tipo de pessoa, que "prevê" o futuro ou fala coisas que você não imagina, mas não vive disso. São coisas muito comuns de se ver em determinadas religiões, entre elas, as evangélicas mais pentecostais. Não me refiro a cartomantes e pessoas que vivem, que recebem dinheiro, mas sim, a pessoas que a princípio não ganham nada com isto.
Perguntei se tinha algo a ver com coisas inconscientes, com uma facilidade dessas pessoas entrarem em contato com conteúdos inconscientes delas e dos outros. E matei a charada!
O professor disse exatamente isso, que são pessoas que têm uma estrutura de ego muito frágil e que facilmente podem entrar em surto, que vivem quase em surto mas não estão em surto. (detalhe: o Jung fez a maioria dos seus estudos dentro de um hospital psiquiátrico, o que achei fascinante!) Então, elas falam coisas que podem sim ter a ver com o inconsciente da outra pessoa, mas que também podem ser conteúdos próprios que elas atribuem aos outros. Aí você tem que discernir e às vezes pedir ajuda pra outra pessoa. E ele citou um exemplo, de uma pessoa que lhe "previu" coisas e que não fizeram sentido, então ele foi conversar com outra pessoa totalmente alheia à situação que pôde ajudá-lo a interpretar o que esta pessoa lhe disse.
Eu então, no almoço, conversei com ele e contei "só" a parte que mais me deixava preocupada. O tal do "vai acontecer algo terrível com você que você sairá de São Paulo correndo". É de ficar com medo, né não???
O cara chegou e disse "talvez ela não estivesse falando sobre uma saída literal de são paulo [porque eu havia dito a ele que sair de são paulo, das vezes que eu tentei, não deu NADA certo e, aliás, minha vida só "dá certo" nessa cidade], mas que as coisas da forma como estavam não podiam continuar. Talvez ela estivesse falando de uma mudança que precisasse acontecer no seu 'estar' em São Paulo". E aí, tudo fez sentido!
Aí eu uni lé com cré.
Porque, fato, passei por situações que poucas pessoas sabem, antes de mudar tudo em Sampa!
Um dia vou pro boteco e conto as situações que ocorreram e que também me impulsionaram a mudar tão drasticamente minha vida nessa cidade, em tão pouco tempo! [digo, pouco em relação ao que a tal muié tinha falado] E aí, muitas outras coisas começaram a fazer sentido. E aí que eu estou desempregada ainda, mas tenho quase certeza de que vou conseguir outro emprego e que não será na minha área de estudo do mestrado, mas sim, outra área que tem a ver com outras coisas que a tal mulher falou.
O que ficou disso tudo até agora?
Que tem coisas na nossa vida para as quais nós precisamos parar, sentir, olhar e pensar. Porque tem certos momentos que as coisas ao nosso redor só faltam gritar pra nos dizer o caminho que devemos prosseguir, mas insistimos em fechar os olhos e seguir adiante sem olhar pra elas.
Os sonhos, ainda estou tentando entender, mas isso vai ficar pra quando eu voltar pra terapia... não sei quando, mas ainda esse ano espero voltar!!!
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