Ensinamento sobre o amor
Por dias e dias estive, aqui, sentada, escrevendo sobre o não-amor. O desamor, o descrédito, a desilusão.
A verdade é que "amor" é uma palavra difícil de definir, muitos já falaram diversas coisas sobre isso e cada vez mais se torna algo indefinível, incompreensível e, em cada cultura, "amar" tem um peso e muitas práticas distintas.
Eu até hoje não sei direito dizer o que é o amor. E fico tentando encontrar, como sempre, definições pra tudo o que é possível. Vocês bem me conhecem...
O que posso dizer é o que eu acho que não é o amor. E o que eu tenho encontrado, todo dia.
Amor não é indiferença. Não é dizer "se vira". Não é dizer "cada um com seus problemas". Sinto que é amor, cada vez que eu escuto "estou contigo" "conta comigo" "vamos resolver os problemas".
Amor, não é querer nos ver longe de nossos amigos. Amor não é nos separar das pessoas que amamos. Sinto que é amor, cada vez que escuto "Quero conhecer melhor suas amigas" "Espero que seus amigos gostem de mim" ou quando se abre mão de estar com os seus queridos em prol de estar com meus amigos.
Amor não é invasão nem possessão. Não é querer a pessoa apenas para si. Mas sinto que é amor, quando percebo que posso ser exatamente do meu jeito, com minhas opiniões, com minhas "influências" sobre o mundo, com as roupas que eu gosto, com o cabelo que eu gosto, com o perfume que eu gosto... Enfim, que não preciso mudar meu jeito de ser, estando sozinha ou acompanhada.
Sinto que é amor, todas as vezes que me sinto respeitada. Sinto que é amor, cada vez que passo por dificuldades e não me sinto sozinha. Sinto que é amor, cada vez que me despeço e já sinto saudade.
Eu não sei o que é "o" amor. Porque, todas as vezes que eu achei que soubesse o que é isto, os relacionamentos foram frustrados. Porque eu percebi que não dá pra ter certeza de nada a priori, que pros caminhantes a vida se faz ao caminhar, que os relacionamentos se fazem a cada metro andado, cada obstáculo vencido, cada aprendizagem formada. Os relacionamentos se dão a cada quilo perdido ou ganhado.
E, cada vez que eu lembro de tudo que já sonhei, que já planejei, que já busquei em uma pessoa... Cada vez que lembro de pensar que sempre pulo da pedra mais alta para cair num relacionamento e que nunca pude sentir a reciprocidade nisto... Eu olho ao meu lado, e percebo que tem alguém que eu realmente amo e que realmente me ama, que consegue me fazer sentir isso, que até hoje não consigo explicar.
Como já disse a Adélia:
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”
Um comentário:
Pelo visto, por enquanto pra vc amor é "dúvida".
Quem sabe um dia se torne certeza (apesar de, particularmente como cético, achar que isso seja possível só em sonhos).
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