29 anos e muito o que aprender
Faz tempo que não dou as caras por aqui... Faz tempo que escrever tem sido mais uma obrigação do que um prazer. Hoje resolvi tirar um tempo pra escrever algo sobre mim mesma, algo que é um tanto difícil depois desse tempo sem praticar... Mas, vamos lá!
Olho para o computador. Um filme passa à minha cabeça. Fazem alguns meses que eu pensei que algo mudaria radicalmente minha vida. Faz cerca de um ano que eu senti que minha vida iria mudar no segundo semestre de 2011. E mudou.
Acho que agora eu sinto que cresci, de verdade. Cresci tanto que achei que nunca mais ia sentir essa dor que é crescer... Mas eis que, novamente, essa dor me acomete.
Novamente, diante de decisões a tomar, eu decidi pelo caminho mais difícil. Decidi não pegar atalhos nem mesmo fugir de meus objetivos. Isso, há uns meses atrás. Persegui meus objetivos de forma tão obstinada, que alcancei. Alcancei não só por meu percorrer, mas porque de fato acredito que a vida colaborou para isto. Porque já houve momentos em que eu persegui alguns objetivos obstinadamente e a vida não me deu nada em troca. Apenas percorri, apenas corri, cansei, e nada alcancei. Dessa vez foi diferente.
Agora, parece que novamente estou sendo colocada em xeque. Parece que tudo vai dar errado e que aquilo que eu mais desejo e que está como pano de fundo - e muitas vezes como figura - parece que vai dar errado.
Olho para o computador. A internet está uma bosta. Não consigo escrever o que preciso. O tempo está correndo. Eu preciso correr atrás do tempo perdido. Sim, perdi muito tempo recuperando as energias depois de muito desgaste. Perdi muito tempo indo de médico em médico, de exame em exame, de porta em porta. Perdi muito tempo me desiludindo e tentando recuperar o otimismo na vida. Recuperei tudo isso, ou parte de tudo isso.
E, quando as coisas começaram a mudar, radicalmente, eu estava mais viva, mais pronta, havia me tornado uma pessoa melhor.
De repente, parece que todas as coisas vão dar errado e o mundo parece que vai cair sobre minha cabeça. A sensação de ter tomado as decisões erradas me assola. Aquilo que é meu objetivo central em meio a tudo isso parece que não vai ser alcançado. Parece que não vou conseguir, que não vai dar certo, ao menos não dessa vez. E parece que eu tomei todas as decisões erradas.
São nesses momentos que percebo que ainda há muito pra crescer. Que o caminho mais difícil não é sempre o mais indicado. E eu penso que eu queria voltar atrás e tomar outras decisões, só que não é mais possível. E os olhares de crítica e desaprovação me perseguem, o medo da fala do outro me persegue, o medo do fracasso me persegue. Me persegue a tal ponto que eu paraliso. Fico aqui, num dia perdido. Um dia que podia ter sido muito melhor. Um dia em que eu podia ter gasto minha energia apenas naquilo que realmente quero, mas eu fiz o inverso: investi naquilo que é provisório e que não me completa. E aquilo que eu realmente deveria fazer, ficou assim, parado, por fazer...
Às vezes me pergunto se eu poderia fazer diferente. Se a decisão tomada não tivesse sido tomada, fico pensando se eu realmente faria diferente. E percebo que não. Porque essa tendência absurda de investir naquilo que não é o mais importante sempre parece que está por aqui, querendo se fazer crescer, querendo me fazer diminuir.
Hoje, aos 29 anos, percebo o quanto enxergo a vida diferente. Percebo que descobri aquilo que realmente tem valor para mim e, ao mesmo tempo, percebo que não estou me concentrando nas coisas que realmente têm valor pra mim. Só em uma parte, pra ser sincera. Descobri novas coisas que têm valor, fiz novos planos e visualizo um futuro que eu jamais pensei que fosse visualizar.
Mas... Acho que outras coisas que eu realmente achei que havia aprendido a valorizar, deixei de lado. Não foi intencional nem mesmo planejado, foi algo que aconteceu. Ao mesmo tempo, estou aprendendo a valorizar outras coisas, muito diferentes, as quais não estavam até então no horizonte da minha consciência.
O fato é que não aguento. Quero desistir de tudo. Quero desistir de quase tudo, na verdade. Queria voltar atrás e optar pelo caminho aparentemente mais fácil. Mas sei que se estivesse nesse caminho, as coisas não estariam muito melhores não!
Apenas acho que minha segurança está abalada e já não sei como será o dia de amanhã... Na verdade, nunca soube, apenas conseguia acreditar que parte do meu amanhã estava definido, e agora não está mais. Tudo depende de mim. Quase tudo, na verdade. Tem coisas que não dependem de mim, mas estas eu não dou muito valor, apesar de saber que na prática elas têm muito valor...
Tem hora que eu queria apenas escutar "calma, tudo vai dar certo, você vai conseguir".
Tem horas que aqueles olhares críticos que ficam na minha memória, deviam ser convertidos em olhares de aprovação e entusiasmo.
Tem horas em que eu queria conseguir ultrapassar algumas barreiras pessoais, construídas há muito e muito tempo, mas eu vejo que elas ainda estão aqui, comigo, e aparecem nas horas mais inapropriadas...
Tem horas que eu queria não desconfiar tanto das pessoas. Também queria que os fantasmas do passado não me assolassem ao ponto de eu achar que estou cometendo os mesmos erros [mesmo sabendo que não estou].
Tem hora que tenho muita dúvida de tudo o que as pessoas mais importantes me dizem e eu queria apenas acreditar e confiar. Mas a vida foi dura e muita coisa aconteceu nos últimos 9 anos, é difícil em 6 meses mudar completamente o jeito de ver as coisas e sentir as pessoas. Aliás, estou muito mais acostumada com a decepção do que com a realização, a tal ponto que, quando a realização se faz nas relações, o fantasma da decepção fica me perseguindo.
E às conclusões que cheguei há tanto tempo, chego novamente. Penso que a vida tem muito mais para mim e não consigo imaginar uma existência por puro acaso. Porque tem horas que as coisas parece que vão ficar insuportáveis e que levantar de manhã deve ser tão difícil como fazer um parto. E as preocupações só aumentam e as energias se perdem. Mas no fundo, eu sinto, eu sei, que há algo muito maior acontecendo e eu sou apenas uma peça nesse imenso quebra-cabeças da humanidade.
Tentei, tento acreditar que posso e vai dar certo. Mas confesso que na maioria das vezes acho que não vai dar... e desisto... sem querer desistir...
4 comentários:
Olá, bom dia.
Em que eu poderia te ajudar?
Abraços,
Deus é contigo, apesar de tudo, nao desista. Passei e passo por coisas e situações muito dificeis tambem, como tantas pessoas que nem imaginamos, mas veja, existe um Deus que se compadece de nós, pobres mortais.
Oi, Juliana!
Obrigada pelo apoio, infelizmente ultimamente poucas são as pessoas que se dispõem a ajudar umas as outras...
Acho que trocando ideias, compartilhando dos sentimentos e das vivências se pode ajudar muito. :)
Abs!
Texto confuso, mas talvez não tão confuso. Talvez as ideias estejam confusas? Talvez a leitora esteja confusa? Nunca saberemos.
O que sei, amiga, é que em nove minutos muita coisa pode mudar, que dirá em nove anos. E você mudou. Acredito que pra melhor. Acredito que algumas coisas possam não ter melhorado, mas sei que você é uma pessoa melhor. Espero que você se enxergue assim também.
No mais, eu não sei se eu sou uma pessoa importante , mas o que posso dizer é que tô aqui.
Pra quando e se você precisar.
Aninha! Obrigada pelo carinho, pela amizade, pela hermanedad! ;)
Realmente, o texto ficou confuso, funcionando mais como uma forma de organizar os pensamentos levemente confusos... hehe [vc me conhece!]
Obrigada pelas palavras e também conte comigo sempre! S2
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