sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tem dias em que tudo parece ficar tão simples. Em que levantar e fazer as coisas parece algo tão simples de fazer. Estou aqui, torcendo, para que amanhã seja um dia assim... Porque passei os últimos dias inutilmente, com problema de saúde e hoje sinto que perdi muito tempo. É estranho esse sentimento, mas eu sempre sinto isso, mesmo que meu dia seja bem produtivo.
Fico aqui ponderando sobre as coisas boas que aconteceram, as pessoas interessantes que conheci, os momentos alegres que passei com amigos e com um certo alguém. Não sei explicar o que sinto, mas de qualquer forma, posso dizer que estou muito feliz. Ao mesmo tempo, estou ponderando sobre como conduzir minha vida profissional. Algumas possibilidades surgem e eu não sei em qual delas concentrar meus esforços.

Meu aniversário está chegando e eu não estou com a mínima vontade de comemorar. Acho que é o aniversário mais sem graça que eu já tive... 29 anos, que idade chata. Porque, se fosse 30, eu teria a obrigação de comemorar, né. Mas 29... Não há o que comemorar. Não há grandes alegrias nem grandes tristezas.

A cada dia que passa estou mais convencida de que, de verdade, nunca amei a ninguém. Acho que tive grandes, médias e pequenas paixões. Mas amor de verdade, não. Nenhuma das pessoas que passou pela minha vida sentimental eu sinto saudades, queria por perto, nem nada disso. E acho que isso por si só já diz que eu não amei. Mas sim, eu me entreguei, quando vivi eu vivi por inteiro.
Fico aqui pensando se algum dia irei realmente amar alguém. Ainda mais, fico pensando se irá acontecer novamente de surgir aquela vontade de dizer "eu te amo" pra alguém [mesmo que agora eu ache que nunca amei, mas a vontade de dizer isso surge!]. É tão estranho que, quanto mais o tempo passe, menos a gente consiga acreditar nas pessoas! Devia ser o contrário, não?
E parece que nós, mulheres, estamos muito mais céticas que os homens. Porque, vez ou outra, eu fico sabendo de algum homem que de fato se apaixonou por alguém e se dedicou e fez o possível para ser mais feliz com essa pessoa. Mas nós, mulheres, estamos cada vez menos esperançosas...

Isso depõe contra tudo aquilo que eu acredito. As pessoas que me conhecem sabem que eu sou uma idealista, acredito em utopias, e acredito no ser humano. Tem gente que me critica muito e mesmo na Academia eu já debati muito isso com as pessoas e, pasmem, ninguém até hoje conseguiu me provar o contrário. Porque eu "pego" os que contra-argumentam nos seus próprios argumentos, e eles sempre terminam dizendo que não sabem como responder.

Mesmo que essa minha crença no ser humano [que, talvez, seja a última crença que ainda me reste] seja pura fantasia, eu não vejo outro motivo para tentar transformar o mundo ao meu redor. Por sinal, hoje eu assisti pela enésima vez, o filme "Patch Adams" que todos vocês já estão carecas de conhecer. Pois é, uma amiga quis ver porque outra amiga nunca tinha visto, então eu assisti. E eu chorei. E, uma das frases que ele disse foi "se vocês querem lutar contra o mal, lutem contra o mal da indiferença".
Tenho amigas que costumam dizer que devo ser a única pessoa que fala "com licença" na estação da Sé às 6 horas da tarde. Sim, eu falo. Não, eu não empurro as pessoas. E, quando me vejo quase que impelida a agir como muitas pessoas agem nesses momentos, eu respiro fundo e penso "não precisa disso".
Tá, é uma bobagem, mas é assim que eu penso a vida... Eu não quero ser igual a todo mundo, tampouco quero ser A diferente nem A revolucionária. Apenas quero sentir que estou imprimindo uma marca neste mundo, que seja só minha.
Sei que as coisas vão continuar existindo, os problemas não vão mudar por minha causa e, possivelmente, daqui há alguns anos, vão ler este blog e verificar que eu era apenas mais uma das vozes que falavam no nosso tempo, mas que não teve força pra se impor perante outras vozes.

Sem força, sem muito o que pensar, sem muito o que planejar, sem muitas expectativas... Apenas estou vivendo, cumprindo com minhas obrigações, pensando que o dinheiro vai ter que dar até o final.

Alguns filmes têm me feito chorar. Muito pouco, mas têm. Uma ou outra música, também. E, outro dia, uma pessoa com quem pude me decepcionar pela enésima vez. Não, ela não me "fez" chorar. Ela não fez nada com esse intuito. Mas eu chorei. De raiva, de decepção, de lamento por pensar "caramba, realmente não tem NADA que eu possa levar de positivo dessa pessoa?".

Talvez porque eu acredite tanto nas pessoas, que eu odeio me decepcionar. Talvez isso ocorra porque eu me acho uma pessoa relativamente confiável e não espere certas atitudes dos outros. Quando elas vêm, eu não quero crer, nunca.

O fato é que a vida tem estado ausente de sentidos. Poucas são as coisas que prendem minha vida nos altos, e suas garras têm se enfraquecido mais e mais. Essa sensação de estar com muitos pés no chão é muito esquisita. Na verdade, estou precisando molhá-los com uma água salgada, sentir a brisa e pensar em onde o horizonte pode me levar.

Eu não quero parar. Eu não posso parar. Correndo, eu penso demais. Parada, eu só penso. E tem sido estranho pensar em certas coisas... A vida tem andado estranha. Mas boa. Difícil de entender.

2 comentários:

Andarilho disse...

Primeiro: cuide da saúde, depois se preocupe com o resto.

E segundo: acredite desconfiando. Porque se o House tem a razão em alguma coisa, é que todo mundo mente.

Lu disse...

Noob em blogs! Processando informações, rs. Primeiramente queria elogiar o seu layout! Não só por ter minha flor favorita, mas está lindo! Adorei ler seus pensamentos. Em muitos me encontrei; frases que com outras palavras e outras situações já passaram por minha cabeça. Porém, em tantas outras questões pessoais a invejei- de forma boa, claro. Você procurando sempre o positivo, o inocente, o lado puro das pessoas... Eu sempre procurando o lado negativo, desconfiando de tudo! Preciso aprender mais com você! Um equilíbrio seria positivo.
Quanto a indiferença, também sou contra, mas me peguei pensando em como eu simplesmente ligo o automático e sigo as reações da maioria. Ao invés de voltar ao "manual" e dizer um simples "com licença", que faz muita diferença. Parabéns por isso. Com certeza aquece um pouco esse frio, ainda mais aqui em São Paulo, não é mesmo?
Adorei o blog! Parabéns!