Eu que não amo você
O cigarro aceso sobre o cinzeiro revela o quanto as coisas podem mudar...
Hoje eu me sinto menor, com uma parte ausente de mim mesma. Com um sentimento de vazio que parece não me deixar. Com um sentimento de desejo por tudo aquilo que eu quis e não consegui, de tudo aquilo que eu quis e não tive coragem para conseguir.
Agora, parece que algumas coisas retomam seus lugares. Enquanto que outras, parecem que nunca vão alcançar seu lugar devido. Eu te deixei uma vez. Te deixei por acreditar no que estava correto. Te deixei, porque haviam pessoas me querendo mais próximas delas do que de ti.
Mas te deixei de novo. Por uma ausência de sentidos. Por uma falta de rumo. Por um completo e indeterminado desejo de estar tão perto de ti, que eu te deixei voltar a ficar longe. Te deixei, porque não tive força suficiente para tentar nunca mais te deixar.
Agora, é a vontade de tudo o que eu não fiz que me persegue. Novamente, não consigo admitir que não pude fazer o que realmente queria. Novamente, sucumbi face a tudo o que podia ter sido.
E todo esse tempo que passou... Levou mais coragem, mais esperança. E o que ficou no passado é um tema que eu insisto em não tocar. Insisto em não lembrar.
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Como nunca fui sincera, contigo eu tentei. Tentei ser o mais possível. Eu me esforcei.
Quase sincera. Quase corajosa. Quase intensa. Quase verdadeira. Quase... Apaixonada.
É essa falta de desejo que me mata. É o tanto temer isso que sempre está pulsando aqui, dentro de mim!
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Tu sabias que eu estava equivocada. Eu devia ter te escutado, daquela vez. Mas não, eu não tive a mesma coragem que tu. E, agora, eu vejo que o que eu consegui foi me afastar daquilo que eu mais queria.
Tentei evitar o destino de ser quem sou, gostar de quem gosto, ser atraída por aquilo que me atrai. Tentei mudar. Tentei ser uma pessoa mais "normal". Até juro que tentei gostar de alguém que parecia ser mais "normal". Mas, ao final de tudo, descobri que não consigo estar com pessoas mais próximas da normalidade.
Aquilo que me atrai é sempre o exótico. É sempre... Como tu.
Só que eu não consigo, tampouco, ser sincera. Desculpe. Talvez tu nunca chegues a saber, mas eu menti. Duas vezes, pelo menos. Fora as vezes que eu omiti.
Quem sabe, um dia, sigamos mais próximos. Um mentindo ao outro.
E quem sabe, essa vida de mentiras, nos leve a viver ao menos o sentimento verdadeiro que é o de querer caminhar lado a lado... A única coisa de verdade que há em nós.
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