domingo, 18 de janeiro de 2009

Pensamentos avulsos

Todos já devem ter as suas receitas sobre como esquecer alguém.
Elas traduzem-se por "delete do MSN, do gtalk, do orkut, do twitter. Delete o e-mail. Delete o telefone do seu celular, pra não cair em tentação. Apague as fotos. Rasgue as cartas e as fotos - se possível, queime, faz bem. Delete os e-mails enviados/recebidos. Apague tudo o que a pessoa possa ter feito ou que faça você se lembrar dela.".
Depois, quando você cita a pessoa para algum(a) amigo(a), ao final, sempre se vem com a pergunta "mas vc ainda sente algo por ele(a)?".

É sempre assim, sempre as mesmas histórias e as mesmas receitas, como se funcionasse!
Obviamente, cada pessoa vai agir de um jeito. Existem aquelas que gostam de cultivar os "troféus", que são as cartas ou presentes que ganharam de "ex". Guardam como se fossem jóias, para inflarem seus egos e poderem mostrar pras outras pessoas quando tiverem oportunidade...

Mas não é só isso. O fato é que algumas coisas trazem boas lembranças, trazem momentos bons. Afinal, ter gostado de alguém não é algo de todo ruim, senão vc não teria gostado, certo?
Pois é.
Eu costumava dizer [esse blog vcs não conheciam, hã???] que eu amo a todos os homens que passaram pela minha vida... Bem, dessa época pra cá, muita coisa mudou, aconteceu e... Não posso dizer que amo todos, nem que não sinto raiva nem nada. Ao contrário, sinto raiva, desprezo, etc etc, por alguns.
Mas nem tudo são espinhos, porque é fato, todo mundo que passa pela nossa vida deixa uma marca. Todo mundo, não tem como! Por mais que vc queira esquecer, deletar, virar a página... As pessoas deixam marcas.
E, talvez o que seja mais estranho, seja pensar nas marcas que nós deixamos. Essas eu não consigo pensar muito não!

Em todos os casos, o que eu fico matutando de vez em quando é que... Não existe fórmula que delete o nosso passado. Quem passou, passou, mas não totalmente. Porque um pouco deixou em nós. E esse pouco, pode nem ter a ver com a pessoa em si, mas com aquilo que nós consideramos que seja da pessoa, porque tem toda uma parte que é nossa e imagina, cria expectativas e compreende fatos e que pode não ter nada a ver com aquilo que a pessoa de fato é. E nessa linha, a situação pior de todas é quando mentimos pra nós mesmos. Não queremos ver, não queremos enxergar, não queremos aceitar que talvez tivéssemos gostado de uma pessoa tão desprezível, como pode de fato ser. Isso também tem a ver com as marcas que as pessoas deixam ou as que permitimos que fiquem em nós.

Já perdi muito tempo falando disso.

O que eu queria mesmo falar é que ficamos tão presos nessas coisas, pensamos tanto na nossa vida, nas pessoas que vieram e nas que gostaríamos que voltassem [ou não], enquanto que a nossa vida é tão curta!!!
Já diz o cantor:

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma

A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência [...]

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
quem quer saber, a vida é tão rara... tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára

Por quê saímos à noite e temos a impressão de que todos têm a mesma idade?
Por quê viver nessa ilusão de que esses momentos serão eternos e que nossos sentimentos são assim tão importantes para a nossa vida?
De que vale a nossa vida, eis a minha pergunta?
Pra que passar toda a juventude se matando de trabalhar para poder usufruir só na velhice? E se a velhice não chegar? Perdemos nossa vida, rara, trabalhando, lutando, por coisas que nem ficarão, pois não são eternas...
Pra que gastarmos tanto tempo com nossos sentimentos e não escolhemos duma vez as coisas?

Eu fico pensando, de verdade, no quanto a nossa vida é curta!
Outro dia, no meu trabalho, um usuário do serviço soltou uma frase "quando a gente vê, já estamos no século XXII!". Então uma psicóloga de lá concordou e depois ele continuou a pensar sobre isso e depois concluiu assim "mas a gente não vai viver o século XXII, né? Vamos morrer logo" e muitos outros usuários retrucavam dizendo "ah, se vc não vai viver o século XXII problema seu, eu vou!". E eu fiquei pensando, juntando com tudo que eu já fico pensando todos os dias e... A verdade é que nós nem paramos pra pensar no tempo!
É quase como se ele não existisse!
Nós ficamos fingindo ter paciência, sendo impacientes, por coisas que não nos levam a lugar nenhum, por uma vida que não nos leva a lugar nenhum!
Na verdade, a gente vive, imerso em nossos sentimentos e percepções da vida e, em alguns momentos, paramos pra pensar que estamos ficando velhos e coisas do gênero mas, na verdade, uma percepção de tempo, no sentido histórico, ou melhor, sócio-histórico, nós não temos!
É como se vivêssemos como se fôssemos ter sempre 22 anos e as coisas precisam se adaptar a nós!

E é dessa forma que nós lidamos com nossos sentimentos.
Queremos deletar certas coisas, queremos virar certas páginas, acabar com tudo e começar do zero. Mas o zero não existe, a história está aí, a vida está sendo vivida e... Como vamos olhar para ela?
Como vamos olhar para os números que vieram depois do zero, com as vírgulas, com os pontos-finais?
Como virar a página sabendo que ela ainda constará, no livro da nossa vida?

E como vamos olhar para a morte?
Tem uma fala no filme "Patch Adams - o amor é contagioso" [chorei tanto nesse filme, mas tanto!] em que o Robin Williams fala "Não devemos temer a morte. Se quiserem enfrentar um mal, enfrentem o mal da indiferença."

Penso que, enquanto estamos vivos, temos pouco tempo para tomarmos decisões. Pouco tempo para valorizarmos a quem precisa. Pouco tempo para amarmos e darmos chance ao amor.
Temos pouco tempo para construir ou destruir mas, quando destruímos, às vezes as ruínas ficam por muito mais tempo do que prevíamos, afinal, os danos a outras pessoas são imensuráveis, nunca saberemos a profundidade dos atos que temos para com os outros...

Cada vez mais eu penso no quanto a nossa vida é curta e no quanto valorizamos demais coisas que são tão passageiras. Efemeridades.
Penso no porvir, naquilo que virá depois...
A vida é mais que o alimento do corpo e o corpo, mais do que as vestes.

Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.
Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.
Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
[palavras de Jesus]

.
Penso nisso diariamente...
Quem teria coragem de buscar outros valores?
Como passa um raio, assim passa a nossa vida.
O que eu pude deixar?
O que eu poderei levar?

Perguntas, perguntas, perguntas...
[não tenho as respostas. tenho muitas perguntas. estou aprendendo, muito... e sou mais uma que não sabe lidar com nada disso da vida.]

9 comentários:

Perdido disse...
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Ana P. disse...

Post longo demais para ser comentado em apenas um comentário. Vou tentar.

De início, achei que você ia falar sobre a influência das pessoas na nossa vida, depois sobre a influência do tempo e por fim sobre a morte. Mas aí foi uma mistureba só, pq pessoas, tempo e morte são apenas as consequências de uma vida bem [ou mal] vivida.

Pessoas sempre vão entrar e sair da nossa vida, poucas ficam. O certo não é elas deixarem algo delas na gente ou levarem algo nosso. Acho que o certo é a gente aprender a lição, lembrar sempre com carinho daquela lição e pronto. Não dá pra esquecer ninguém. Não PODEMOS esquecer ninguém, porque por pior que essa pessoa tenha sido pra gente, alguma coisa ela ensinou. Então não esqueça disso, para não cair no erro again.

Depois sobre o tempo... tempo, mano velho. Ele passa e a gente fica dando importância pra coisinhas tão sem sentido. A vida passa e a gente fica se fiando no que passou, esquecendo de viver o agora, o já, o momento. Precisamos pensar no futuro? Sim, mas se não viver o presente adequadamente, o futuro jamais virá.

A morte é a única certeza. Já que ela já é uma certeza, não fique apenas esperando que ela chegue. Ela vai chegar.

Então esqueça as dúvidas, esqueça os medos, esqueça as neuras, esqueça a morte. Não dá pra esquecer o passado? Conviva com ele. Pearl Jam, again, always and forever.

You can spend your time alone redigesting past regrets...
Or you can come to terms and realize you're the only one who can't forgive yourself.
Makes much more sense to live in the present tense


Traduza, beibe. Eu choro toda vez que ouço essa música.

Beijos, te amo, no passado, no presente, no futuro, na vida e na morte. Mas não quero casar com você! ;)

Márci disse...

NOssa Juju, bem inspirada hein. Texto reflexivo....muito reflexivo.

Não...não há como deletar as pessoas da nossa cabeça [só em filme, style aquele com o Jim Carrey].

A vida passa rápido sim, e cabe a nós saber aproveitar...as coisas ruins ensinam, as coisas boas devem ser aproveitadas ao máximo...cada experiência, cada coisa pequena ou grande....Pode ser a última.

E a morte....bom....a morte é consequência.....e o mais engraçado é que nós não sofreremos a nossa morte, mas sim os outros, os que nos gostam. Eu pelo menos não tenho medo de morrer, tenho medo de perder as pessoas perto de mim.

Bjs e sodadix de vc guria !

Andarilho disse...

Tudo pelo que a gente passa, deve ter algum propósito. Tudo faz parte do caminho.

E quanto a deletar pessoas, como a Marci lembrou do filme 'Eternal Sunshine of the Spotless Mind', se a gente realmente deletasse algo, não estaria fadado a reviver aquilo?

Porque a gente aprende caindo. Se esquecêssemos que um dia caimos, e como e porque caimos, apenas continuaríamos a cair sempre.

Anônimo disse...

A gente nunca acha todas as respostas que precisamos. Quando estamos quase lá, a vida nos manda novas perguntas.

Anônimo disse...

Se não fossem essas coisas...que graça teria?


ps. aposto que você nem faz idéia do que eu tava falando ;P

Unknown disse...

Puxa vida, que texto!

Adoro Patch Adams, adora a letra da música que você colocou...

E não, também não tenho respostas...

milla b. disse...

*suspiro* nossa... esse texto me fez pensar... não sei direito o que sabe? ainda estou meio confusa... mas é um fato que as pessoas entram e sempre deixarão marcas. algumas se tornam ruins... e mesmo assim elas não apagam. éééééé, acho que todo mundo sabe como é.

ok... então tá!

ps: ainda estou confusa.

jujudeblu disse...

Os comentários de vocês dispensam qualquer resposta minha...

OBRIGADA.