terça-feira, 23 de setembro de 2008

Veja bem...

Os olhos ardem, mas não é apenas pelo vento frio que sopra em minha face.
Ardem diante das mais obscuras descobertas que faço.
Acho que hoje não tenho palavras para descrever quantas coisas vislumbrei, porque foram muitas e muito importantes...

Tudo começou sexta-feira, quando ainda sem vontade levantei e fui pra minha supervisão de clínica e grupo. Sem vontade, caminhei, com a cara amassada e certamente com uma das minhas piores apresentações. No caminho, um travesti veio me pedir dinheiro e meu mau humor era tamanho que não dei nem resposta para o infeliz. Ao chegar no compromisso, percebi que estava adiantada cerca de 40 minutos - fato que vem se repetindo nos últimos dias, por conta do estresse que estou passando.
No trajeto até a supervisão, sempre releio minhas anotações para poder ter um encontro bem aproveitado. Quer dizer, nem sempre, pois desta vez nem isso fiz.
Na salinha de espera, com outras pessoas, então disse pra mim mesma "esse caso é tão complicado que não vou precisar nem reler as coisas... mas como não quero ler Caras nem Contigo muito menos Veja, vou abrir meu caderno e reler minhas anotações para o tempo passar". E foi o que eu fiz, o tempo passou rápido.

No início da supervisão, minha mestra logo percebeu que havia alguma questão com as pessoas que eu estava atendendo, mas que tinha a ver comigo, ou que poderia ter - quando um fato se repete muito, é de se desconfiar. Então, fomos para o seu palco, onde ela me ajudou a perceber algo que tinha da minha própria vida em todas aquelas pessoas que eu estava atendendo. Como já não estava nos meus melhores dias, cometi aquilo que eu sempre considerei um grande erro: chorei na frente dela. Mas nada que fosse "incontrolável", só que mesmo eu não sendo homem, aprendi que não é nada bonito chorar!
A partir daí, minha vida começou a ganhar um novo enfoque.

Os dias se passaram, até que hoje, na minha psicoterapia, eu estava muitíssimo confusa com relação a praticamente TODOS os aspectos da minha vida. Foi quando minha psicoterapeuta me ajudou e novamente voltamos ao fato ocorrido na sexta-feira.

Uma coisa que algumas pessoas que eu atendo costumam me dizer é: "parece que a mudança é algo tão demorado..." e é verdade. É demorado porque determinadas coisas nós não conseguimos enxergar tão facilmente, porque elas estão enraizadas na nossa vida de tal forma que até esquecemos de como foi plantá-las, mas que se não tirarmos a raiz elas não vão desaparecer nunca! Descobrir essas coisas, demora... Dói... Mas como diz um cara conhecido por Jacob-Levi Moreno, quando vivenciamos a "segunda vez libertadora da primeira", aí é possível mudar. Essa segunda vez é a vez de agora, é poder olhar pras coisas que ficaram na nossa vida, só que agora em um outro lugar, em um outro momento. E é a partir daí que nos libertamos dessas coisas... Mas ele mesmo alerta, que muitas vezes não conseguimos nos libertar por causa da paixão que temos pelos nossos fantasmas, que não os deixamos partir!
Ora... posso dizer que ainda estou num estado meio que de "choque", pelas coisas da minha vida que só agora, depois de +- 3 anos de psicoterapia, consegui enxergar! É doído, porém o sentimento de alívio foi conseqüente dessa primeira descoberta, bem como a explicação que há muito tempo eu buscava encontrar para algumas situações bastante recorrentes na minha vida!
Acho que... A partir de agora uma nova jujudeblu está surgindo. Talvez não seja tão aparente para quem enxerga de fora, mas para a minha visão de vida a mudança é bastante radical, mesmo sabendo eu que isso é apenas o começo!

Sim, pode demorar para alguns e para outros ser mais rápido, mas em qualquer dos modos eu afirmo que fazer psicoterapia pode ser sim algo deveras libertador!

Termino com uma música, que acho que tem muito a ver com este momento:

Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
pra me confortar.
Este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você
nestes braços tais.

Veja bem, amor.
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz...

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado saudade.
[Veja bem, meu bem - v. Los Hermanos]

[a parte em negrito tem muito a ver com o que sinto agora. porém a música é apenas endereçada a mim mesma, mais ninguém. e eu sei que pra vocês ela não tem pé nem cabeça, mas pra mim tem um sentido todo especial!]

[jujudeblu-twitter mode on!]

2 comentários:

Andarilho disse...

Eu acho feio homem chorando, mas mulher não.

Não que seja graficamente bonito, mas existe uma certa beleza em ver uma mulher chorar, quase que uma entrega por parte dela, uma permissão pra gente ver um lado que principalmente as mulheres de hoje em dia escondem (essa coisa de ter que ser forte e tal).

E vamos ver aonde essa nova jujudeblu irá nos levar.

Só espero que não abandone o blog pra ficar só "twitando", hehehe

Anônimo disse...

Post confuso, meu cansaço mental não me deixou entender tudo. Mas eu entendi uma coisa, essa música é mto deprê pra eu ler agora! Hahahahahahahahaha!

Mudanças são sempre bem vindas, sejam elas fruto de anos e anos de psicoterapia ou não. Como já diria meu grande filósofo Eddie: I change by not changing at all...

Beijokas. Sábado cê vai?