[desconsideração]
Hoje me deu tristeza,
sofri três tipos de medo
acrescido do fato irreversível:
não sou mais jovem.
Discuti política, feminismo,
a pertinência da reforma penal,
mas ao fim dos assuntos
tirava do bolso meu caquinho de espelho
e enchia os olhos de lágrimas:
não sou mais jovem.
As ciências não me deram socorro,
não tenho por definitivo consolo
o respeito dos moços.
Fui no Livro Sagrado
buscar perdão pra minha carne soberba
e lá estava escrito:
"Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada,
se tornou capaz de ter uma descendência..."
Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objetos de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentam os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas
não recusam casamento, antes acham sexo agradável,
condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã.
Uma tal esperança imploro a Deus.
[Adélia Prado - Dolores]
Sempre que a leio, me inspiro. Quer dizer... ultimamente, quando a leio, me inspiro.
Contudo, queria conseguir escrever aquilo que de fato me inspira, mas... não sei por quê, não consigo!
Queria que meus versos alcançacem um pouco daquilo que já alcançaram,
E conseguissem expressar aquilo que de fato sinto.
Contudo, os tempos são difíceis e conturbados,
Tempos de esperança e desilusões...
Tempos de futuros incertos.
Agora, não consigo mais expressar o que queria.
Já não escrevo como escrevia.
Não sei o que acontece...
De qualquer forma, desconsiderem!
Resolvi pegar algo já escrito:
4 comentários:
Isso deve ser bloqueio de escritor(a).
As vezes isso passa, as vezes não. Eu, por exemplo, há muito tempo não escrevo nada que preste.
Ruim quando a gente não consegue escrever o que a gente gostaria, né? Mas é só uma fase. Daqui a pouco passa.
gostaria do seu e-mail de contato. abraço
Hiato criativo, colega, isso passa!!!
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