quarta-feira, 25 de junho de 2008

Vida louca

Ela chega. Olha o relógio e lembra que ele está adiantado. Contudo, ela está atrasada. Um tanto cansada, querendo que chegue logo.
Ela chega, mas ele não.
Então ela ouve os passos no corredor, seria ele?
Não... Era aquela senhora mau-humorada de sempre.
Ela então vai para o quarto, ouve umas músicas, espera por ele.
Mas ele não vem...
Ele nunca vem.
Quem precisa aparecer agora é ela.
Ela aparece,
Um tanto confusa, um tanto dispersa, um tanto cansada, com seus cabelos sempre bagunçados.
E ela procura um norte, uma direção em meio a tanta coisa sem sentido.
Demora para encontrar... E desanima!
Ela já não sabe muito por onde andar nem pra onde ir.
Porque todos os dias parecem iguais, ainda que não sejam. A mesma indisposição, o mesmo desânimo e a mesma falta de vontade pra ir trabalhar.
Porque já não sabe o que está fazendo, se é o certo ou não. Se quer ou não.
Mas todos os dias uma lembrança a acompanha,
Sentada ela decide fechar os olhos [que é pra não ver as pessoas que sempre desaparecem] e dormir... E dormindo ou acordada, uma lembrança sempre lhe vem à memória. Por mais que ela tente evitar, não consegue.
E ela lembra, e sorri, e sente vergonha dos olhares alheios...
Mas é que tem coisas que ela não consegue evitar. Ela lembra e ponto. E isso lhe faz bem, pelo menos enquanto lembra...
Então chega a hora dela partir.
Ela põe as mãos nos bolsos [e nada parece aquecer o suficiente] e enfrenta o vento frio e a falta de vontade de fazer tanta coisa que precisa fazer...

Eu queria que ela chegasse um pouco menos confusa.
Mas quem a viu e quem a vê, percebe que essa confusão está muito controlada, perto da avalanche de más notícias que recebeu.
Aliás... Ninguém percebe como ela de fato está.
[só digo que eu a vejo sorrir de olhos fechados... e sinto a vergonha alheia de sempre!]

Um comentário:

Andarilho disse...

Quando alguém fecha os olhos e sorri pra si mesmo, eu sorrio junto. É como se fosse bocejo, vai espalhando pra todo mundo.

;)