Efemeridade
Por mais distantes que sejam os lugares que ande, sempre acabo encontrando com ela. Ela, que procura saciar a fome com alguma coisa que não lhe satisfaz. Ela, que por mais que caminhe, respie, coma, ouça, grite... nunca está satisfeita.
Mas o que lhe falta, então?
Por mais que tente fazer de conta que tudo está certo, Rita* se vê à quilômetros de encontrar respostas. O tempo todo, ela se questiona sobre as mesmas coisas as quais tenta se convencer de que não são mais perguntas, pois tenta convencer a si mesma de que tudo está certo, é assim mesmo.
Olho pra ela e, como alguém que olha pra uma pintura, consigo perceber muitas coisas. Mas a principal sensação que tenho é a de um grande vazio. Porque, em meio a todas as respostas que ela tenta arrumar para si e para o mundo, Rita se encontra sempre num emaranhado de dúvidas sem, contudo, obter resposta para absolutamente nada. Sua tentativa de ser senhora de sua vida, a cada dia parece mais inalcançável. Distante de tudo o que sua consciência tenta lhe convencer, é assim que eu a vejo. Querendo justificar tudo o que sente e como, no fundo, se vê.
E quando a vejo com tanta angústia, fico me perguntando sobre a efemeridade de todas as coisas... porque a principal coisa que ela me fala é sobre a efemeridade de suas atitudes e suas relações. Relações coisificadas, é do que ela me fala. Aquilo que mais tenta combater, é o que reproduz. E isso tudo se torna totalmente efêmero, passageiro, sem consistência... Deixa-lhe angustiada. Sem chão, sem direção. Ou melhor, deixa-a com uma direção que ela tenta acreditar ser a melhor, mas que só provoca sofrimento para si.
Teria Salomão razão ao afirmar que "tudo é vaidade e correr atrás do vento"**?
Penso eu que sim... Essa constatação é sempre dura, e, quando me pego pensando sobre isso, também fico sem norte e sem chão. Até começar a olhar que o vento pode não ser consistente, como tudo nesse mundo, até que volto a olhar para aquilo que me dá consistência.
O que mais me chama atenção, é que Rita me fala o tempo todo sobre isso, sem nem se dar conta, nem mesmo se permitir perceber...
Minha outra e principal pergunta é: até quando ela vai querer fechar os olhos? Já não sei... Só sei que o que mais quero, hoje, é poder enxergar aquilo de que tanto fujo/fugi, aquilo que tento esconder de mim, e por quê tanto me angustio... De olhos fechados, não quero viver. Nem mesmo me enganar, como outrora fiz e demorei tanto para me re"estabelecer"...
**livro de Eclesiastes
3 comentários:
Pobre Rita, um dia ela descobre que não adianta querer justificar tudo.
Gostei disso, Ju!
É..um tanto quanto ocmplexo isso tudo....
eu acho que j[a desisto de entender coisas muito complexas...quiçá Rita precise disso tb !
rs
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